Aos vinte e três.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Aos treze
Aos dezoito

Aos 23 me reinventei novamente. Aos 23 já fui vegetariana, já deixei de ser vegetariana. Aos 23 não escrevo mais em diários, mas voltei a postar no blog. Aos 23 não escrevo mais tantas poesias, mas pelo menos não são mais só sobre amor rs. Aos 23 já entendi que a única revolução que pode mudar o mundo é da consciência e eu tenho que começar pela minha. Aos 23 me decepciono pelo Príncipe William ter ficado careca e acho essa parada de realeza uma babaquice. Aos 23 já não vejo mais séries, não vejo filmes em cartaz, não leio mais como antes... Aos 23 me arrependo de muita coisa passado, que sinto vergonha só de lembrar. Aos 23 me arrependo ter curtido tanto a vida adoidado. Agora aos 23 eu  me arrependo de ter deixado de ser aquela menininha chata que levantava a mão a cada pergunta da professora. Aos 23 me arrependo de ter me afastado da minha melhor amiga de infância. Aos 23 finalmente descobri que não há amiga melhor do que minha mãe. Aos 23 vejo meus amigos se formando e me pergunto "o que aconteceu com a melhor aluna da turma?!"
Aos 21 conheci o cara que eu achava que era minha alma gêmea. Ia me casar. Moramos juntos. Montamos uma lanchonete. Esqueci do vestibular. Engordei 20 kilos. Busquei a purificação espiritual. Me afastei de tudo que lembrava meu passado profano rs. Resumindo parei de falar com todos os meus amigos. Ele tinha ciúme até do cachorro de pelúcia que um ex me deu que foi para no telhado. Um ano depois consegui perceber que ele era meio doido. Terminei com ele no primeiro dia do ano novo.
Aos 22  mantive minhas práticas espirituais. Aos 22 nunca havia me sentido tão segura de mim, espiritualmente, psicologicamente. Mantive-me afastada de tudo do passado. Até que pra me aproximar da minha irmã mais nova voltei a fazer oficinas no lugar de antes. Aos poucos voltei a falar com as pessoas do passado. Voltei a fazer circo. Mas me mantive focada no meu espiritual. Venci meu medo de altura e aprendi a andar de perna de pau. Emagreci 10 kgs. Finalmente eu estava voltando a gostar de estudar, dessa vez parecia que eu ia conseguir passar no vestibular. Fiz um curso de permacultura. Fiquei entre fazer pedagogia e biologia, duas opções que eu nunca tinha pensado. Fiquei um mês só comendo frutas. Nunca havia me sentido tão bem. Comecei a me livrar das químicas. Leite de magnésia como desodorante. Vinagre e bicarbonato ao invés de xampu. Babosa ao invés de creme de cabelo.
Até que voltaram a me olhar com olhos de desejo. E a luxúria é a mãe das tentações. Resisti mas me entreguei. Eu queria namorar, não consegui. Senti necessidade de me auto afirmar. Voltei a sair, beber e fumar. Dizem que quanto mais alto estamos maior é o tombo e eu nunca havia caído tão fundo. Na inconsequência engravidei. Sofri, chorei. Mas consegui compreender que ele veio pra me salvar. Pra me estabilizar. Pra eu parar de ser assim tão oito ou oitenta.
Aos 23 passei em duas faculdades. Vovó disse: foi preciso tu engravidar pra passar né filha, se tu soubesse tinha engravidado antes rs. Aos 23 realizei meu sonho de passar na federal. Aos 23 escolhi a biologia. Aos 23 me desiludi com a biologia.
Aos 23 frequentei um grupo de parto humanizado. Sonhei com um parto natural, em casa, na água. Seria lindo, se a minha pressão não tivesse ido pra 16 por 10 na hora. Aos 23 deitei pela primeira vez em uma mesa de cirurgia e foi aterrorizante. Mas ele nasceu e eu já com os olhos inchados de chorar disse: mas ele é lindo!
Aos 23 estou aprendendo a ser mãe. Aprendendo a perder o medo de afogar ao dá banho ou de quebrar ao vestir a roupinha. Aos 23 os assuntos que mais me interessam agora giram em torno da maternidade. Aos 23 eu ainda choro a noite por ser mãe solteira, por não ter alguém do meu lado pra me ajudar quando a paciência acaba ou quando o sono aperta. Mas agradeço muito a deus por ter uma mãe que me ampara.
Aos 23 eu não sou o que eu esperava ser há cinco anos atrás, mas sou o que precisava. Aos 23 às vezes ainda me sinto como aquela menininha insegura, entào o Theo chora e eu lembro o porque agora tenho que ser responsável. Aos 23 venho aprendendo o que é amar de verdade, e assim aprenderei a me amar e não ter mais necessidade de me auto afirmar com ilusões. Aos 23 não desejo mais voltar a ser criança, pois sei que junto do Theo irei me danar como uma. Aos 23 não estou sorrindo o tempo todo, porque agora o meu sorriso não depende mais apenas de mim. Eu sorrio quando o Theo sorri.
Aos 23 estou descobrindo o que é ser feliz de verdade, sem mais ilusões.

Hoje não é meu aniversário, mas vinha querendo fazer esse post faz um tempo, ao perceber que o ciclo de cinco anos continua. A cada cinco anos começa uma nova fase para mim. E o jogo vai ficando cada vez mais complicado mas também mais divertido rs. 

5 novidades:

Aline Teles disse...

Com passar dos anos, a gente vai reinventando. Aprendendo a viver e aprendendo se conhecer. Ficou excelente o seu texto. Quando eu tinha a sua idade, também fiz grandes descobertas. Beijinhos.

meus instantes e momentos disse...

tudo um grande aprendizado. E tudo se acerta melhor, se conhece melhor, se assenta melhor... depois dos 23 !

Débora Teixeira. disse...

Ao passar dos anos,tudo vai mudando,vamos aprendendo,se acertando.
É com a idade de 23 anos,que começamos a descobrir coisas diferentes.
Belo texto.
Beijos.

Débora Teixeira. disse...

Ao passar dos anos,tudo vai mudando,vamos aprendendo,se acertando.
É com a idade de 23 anos,que começamos a descobrir coisas diferentes.
Belo texto.
Beijos.

lia disse...

Oi Lu vim aqui através do Lucas...
Gostei de ler sobre teus 23, menina quanta coisa boa nas tuas escolhas. Blz.
Aos 23 me formei em Enfermagem , um grande marco em minha vida, e comecei a lecionar em seguida; hj estou aposentada há 19 anos. Foi bom relembrar através da leitura de teu blog. Vem tomar um cafezinho comigo?
Bom findi.
bjk

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