A revolução do ódio.

segunda-feira, 16 de março de 2015

"E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria."
Paulo de Tarso.



Não defendo partidos ou direções políticas, pois acredito que não adianta mudar o líder de um país, sem mudarmos a nós próprios, nada muda se o indivíduo não revoluciona. O micro reflete no macro. Se cada pessoa começasse a rever suas micro-corrupções, conseguiriam ser líderes de si mesmos, por conseguinte se auto gerirem, podendo então mudar seu círculo de relacionamentos, cidade, estado, país.
Os realistas, ou pessimistas, poderiam achar isto utópico, mas porque é tão difícil enxergar essa possibilidade em algum futuro não tão distante? Porque falta amor.
Dizem que Deus é amor, mas como falar Deus tira a credibilidade destas palavras para os céticos, posso chamar então de energia criadora ou transformadora. Essa mesma energia presente na natureza, tem o poder de transformar a podridão do lodo no precioso perfume da flor-de-lótus. Ou o de transformar um organismo invasor de uma concha em pérola. O distanciamento com a natureza nos fez esquecer que a integramos e temos essa energia dentro de nós. Posso chamá-la de qualquer termo apropriado, mas para mim "amor" é a palavra de encaixe perfeito.
Ao invés de demonstrar um sentimento de revolta conscientemente amorosa, pensando na força do exemplo e em um bem comum, a revolução que vemos é a do ódio, seja nas demonstrações físicas ou verbais. Palavras de motivação são substituídas por ofensas. Atos de vandalismo são cometidos sem pensar no prejuízo alheio, sem colocar-se no lugar do outro. Há desejo de morte e destruição. Se todo esse ódio  direcionado à políticos e partidos, fosse canalizado em amor por nós mesmos, conseguiríamos transformar o lodo de nossos defeitos no doce aroma de nossas virtudes.
Não defendo a inércia, o comodismo, a falta de interesse por mudança, mas sim uma revolução de consciência, trazendo a  real compreensão de um conceito tão batido, o de que violência só gera violência. Só somos respeitados se respeitamos. E a força mais poderosa de regeneração é o amor.

4 novidades:

Carol Russo S disse...

Puts!
Gostei demais.
Atual e sincero.
Temos que mudar a nós mesmos antes de exigir isso de qualquer outra pessoa. De dentro para fora e não ao contrário.
Parabéns, Lu. Demonstrou uma perspectiva aguçada sobre a crise política que o país vem sofrendo, que nada mais é do que o resultado da crise individual de todos nós. De um povo desunido, sem amor.

Dênis Girotto de Brito disse...

Um ótimo texto!
Vamos transformar o ódio político e o ódio de classes em amor fraterno, em consciência elevada, em transcendência. Mas primeiramente, mudemos a nós mesmos.

Meus blogs literários:
O Poeta e a Madrugada (Contos e Poesia)
Dark Dreams Project (Contos de suspense e terror)

Abraços!

Fábio Murilo disse...

Pensou grande, menina. Ótimo texto, de fazer pensar.

Moacir Willmondes disse...

Perspicazes considerações, Sam, sobretudo o desfecho que se deu como uma cereja que deixa o bolo mais gostoso.

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