Caroço quase

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

"Tudo são objectos. Quase.”
José Saramago.




Era quase, apenas, um caroço roído,
Mas parte da fruta ainda restava
Simplesmente no chão caído
Mas a poesia ali morava,

Na cor dos lábios já cantados
Por outras bocas beijado,
Bocas sem sorriso dentado,
Mas de um agradecimento assobiado.

Ó Jambo, não fique triste por esse seu fim.
Melhor morrer pela metade nos bicos de um bem-te-vi
Que louva o alimento tão alegre assim
Do que por um humano, que rói sem te sentir...


Fiz esse poema em uma oficina de poesia ministrada pelo poeta paraense Antônio Moura, em que a proposta era fazer uma poesia sobre algo que parecia sem utilidade, o que me fez lembrar Saramago e os seus objetos aparentemente inúteis, mas para cabeças criativas tudo tem utilidade rs. Pra quem curte carnaval, feliz carnaval! E pra quem não curte que nem eu, feliz descanso. Beijos.

3 novidades:

Fábio Murilo disse...

Que ótimo, Lu! Que ideia genial! escrever sobre coisas "inúteis", inspirador! Que dizer não faltam motivos, do que escrever. De repente tudo é inspira. O poeta João Cabral de Mello Neto, meu conterrâneo, escreveu sobre um ovo, isso mesmo, um ovo de galinha! O ato criativo é um mistério. Eu mesmo, um dia desses tive a ideia de escrever sobre a minha falta de inspiração, descrevi toda a agonia, o momentâneo desespero. É isso. E adorei o criativo nome do blog. Títulos são importantíssimos! Beijos!

Dayane Pereira disse...

Ficou lindo. Eu acredito que não tenho o dom pra poesia, apesar de amar escrever e de me perder nestas linhas poéticas...

Simone Lima disse...

Que leveza, Lu.
Por vezes, o que parece inútil é imprescindível!

Beijoo'o

Postar um comentário

e ai alguma novidade?


obs: comentem sobre o texto
elogios e críticas são bem vindos, contanto que leiam e mostrem sua opinião.

sigam-me no twitter: @lusampaiiio

 
Design by Pocket