Segura na mão de Deus e vá.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Em nossas vidas corridas e muitas vezes sem sentimentos, esquecemos da nossa existência ínfima, esquecemos que o amanhã não pode chegar. Principalmente para nós jovens, não vemos o futuro que nos espera, nos baseamos principalmente e às vezes exclusivamente em nosso presente.
Eu nunca tinha visto a morte de perto, nunca tinha visto a tenebrosa face de uma pessoa que já se partiu, que só se mantêm agora na sua forma física que aos poucos também se desintegrará. Com a dor também, um alívio, pois ela agora está livre dos sofrimentos da idade, da doença, agora ela está em paz, mas não a pior imagem do que a desolação dos parentes, dos filhos, da minha vó, mesmo sabendo agora que ela se foi pra um lugar melhor é difícil de entender o porque que tudo tem um fim, o porque de perder alguém que amamos tanto.
Nos olhos da minha vó vi uma dor futura, agora vejo que o que sentia quando era criança não é verdade, sentia que minha mãe vai está aqui pra sempre, mas um dia todos tem que passar por aquilo que menos desejamos.
E uma impotência me domina, estarei de braços atados e nada que eu farei poderá reverter, as lágrimas não irão voltar para os olhos, nem o sorriso para a boca, o coração não baterá mais, nem o abraço irei sentir.
Minha mãe me disse " Prioriza agora a tua vozinha, porque um dia ela não vai tá mais aqui. " E é mais por ela que eu sinto, não tinha muita proximidade com minha bisa, mas minha lembranças remotas fazem querer voltar aos meus 5 anos de idade, voltar a ir em todos dias das mães para a casa dela, onde eu dançava é o tchan só de calcinha, lembro que eramos tão unidos, lembro dos sorrisos, lembro de uma velhinha brincalhona que apesar das dificuldades de fala, para andar, comer, ela ainda brincava, ria para esquecer da dor talvez.
Em meio das lápides vi o quanto somos pequenos, o quanto não priorizamos aquilo que amamos, o quanto não demostramos e valorizamos, deixamos a vida passar e ela escorre por entre os dedos. Pude demonstrar o pouco talvez, mas algum carinho daquela que tomava bença e dava um beijo na testa uma vez por ano, e com o tempo esse contato foi diminuindo, quando ela definitivamente se foi, com a terra sendo jogada e um canto doloroso ecoava, as lágrimas escorreram e ela segurou na mão de Deus e foi.

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